Quanto vale sua empresa? Saiba como aumentar o valor do seu negócio!

Quanto vale a minha empresa? Esta é uma pergunta que  todo empreendedor se faz em algum momento de sua vida. Os principais motivos, ou momentos em que tais perguntas ganham relevância na vida de um empreendedor geralmente são; Dificuldades financeiras que levam a necessidade de venda total ou abertura do negócio à participação de novos sócios […]


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Quanto vale a minha empresa? Esta é uma pergunta que  todo empreendedor se faz em algum momento de sua vida.

Os principais motivos, ou momentos em que tais perguntas ganham relevância na vida de um empreendedor geralmente são;

  • Dificuldades financeiras que levam a necessidade de venda total ou abertura do negócio à participação de novos sócios com objetivos específicos de capitalização;
  • Oportunidades de aceleração do crescimento que demandam investimentos acima da capacidade financeira dos sócios (muito comum em Startups).
  • Necessidade técnica, suprida pela entrada de um novo sócio na empresa;
  • Assédio de um concorrente que busca uma fusão ou aquisição;
  • Motivos de “força maior”, como morte, aposentadoria ou desistência do sócio fundador sem herdeiros interessados em “tocar” o negócio.

Em todos os motivos ou momentos descritos acima, a questão principal que eu gostaria de destacar como convergente em quaisquer das situações é: “Mais importante do que saber quanto vale sua empresa é saber o que você deve fazer para aumentar continuadamente o valor da mesma”.  A razão disto é muito simples, se você não está trabalhando de forma sistêmica para valorizar os atributos que impactam direta e positivamente no valor de sua empresa, você provavelmente está trabalhando contra os seus próprios interesses sem ao menos perceber.

Para entender melhor este contexto, vamos conhecer quais são os principais atributos que impactam no “valuation” de sua empresa usando a metodologia mais popular nos dias de hoje: o fluxo de caixa descontado.

1 – EBITA ou Lucro Operacional

Sigla em inglês que significa; “Resultado antes dos juros, impostos e amortização”. Em outras palavras pode ser entendido como o lucro operacional que sua empresa gera em determinado mês ou período para então pagar despesas que não fazem parte da sua “operação”.

Pode ser representado simplificadamente da seguinte forma:

(+)Receita Bruta
     (-) Impostos sobre venda
     (-) Devoluções
     (-) Outras deduções da receita
(=) Receita Líquida
     (-) Custo da mercadoria vendida/Serviço prestado
(=) Margem Bruta
     (-) Despesas Comerciais + Administrativas + Operacionais
(=) EBITA

Na metodologia de valuation mais utilizada pelo mercado o EBITA ou lucro operacional é a variante mais determinante da avaliação. Isto se dá porque a média deste indicador nos anos anteriores da empresa e a projeção do mesmo para um período futuro determina o cálculo do fluxo de caixa descontado, e o mesmo tem grande peso neste tipo de análise.


2 – WACC ou Custo Médio Ponderado de Capital

Em resumo trata-se de uma fórmula que calcula a média entre o custo do capital próprio de sua empresa e o custo do capital de terceiros. Pode ser representado simplificadamente da seguinte forma:

Calculo do valor do WACC de uma empresa, financiada pelo Patrimônio Líquido (PL) de $ 600.000 e dívidas de $ 400.000.

Neste caso há 60% de capital próprio e 40% de capital de terceiros. A remuneração requerida pelos acionistas é de 20% e o custo da dívida é de 10%.

WACC = (20% x 0,6) + (10% x 0,4) = 16%

O importante aqui não é o aprendizado da fórmula em si, mas sim, o fato de que o desequilíbrio no perfil do endividamento aliado a um alto custo de capital de terceiros ou mesmo próprio pode levar o custo médio ponderado de capital de sua empresa a “explodir” com o passar de anos ou até meses, dificultando ou até inviabilizando sua empresa para venda.

3 – Grau e perfil de endividamento

Imagine o endividamento da sua empresa como um redutor do valor líquido da mesma, porque acredite, é exatamente isto que o endividamento significa na perspectiva de um potencial comprador.

Não significa que uma empresa nunca possa contrair dívidas, até mesmo porque dívidas não são todas iguais, algumas são necessárias em determinados momentos e existem regras no mercado para avaliar se o perfil de endividamento está ou não adequado de acordo com:

  • O grau de alavancagem financeira que é determinada pela relação dívida x patrimônio líquido;
  • A análise para determinar se a maior parte deste endividamento é de curto prazo, o que trará maior pressão no fluxo de caixa, ou se;
  • O endividamento relativo a investimentos (crédito bom) é significativamente menor em relação a empréstimos para coberturas de capital de giro (crédito ruim).

Para chegar ao valor líquido em uma avaliação de negócios faz-se necessário a dedução do endividamento total do “valuation” calculado e por isto, qualquer empreendedor que preza pela valorização do seu negócio deve manter sempre o nível e o perfil de endividamento sob controle.

Conclusão:

Como o leitor pode perceber, não foi citado em momento algum neste artigo que um grande volume de faturamento ou mesmo um nível crescente das vendas de produtos ou serviços faz uma empresa valer mais ou menos, o que vai na contramão das práticas do mercado de PMEs, onde na maioria das vezes os negócios são calculados em “números de faturamentos”.

A grande verdade é que o faturamento de sua empresa pouco importa se o mesmo não gerar lucro e caixa superavitário com recorrência e consistência.

O pulo do gato é que um empreendedor que não só entende e valoriza uma boa administração financeira, mas principalmente, aplica tais conceitos, acaba por se tornar um gestor do valor de sua empresa. Uma boa administração do lucro, do fluxo de caixa, do grau de alavancagem e perfil de endividamento podem elevar potencialmente o valor de uma empresa no mercado, e este deveria ser a principal missão de um gestor de PME.

Sucesso a todos.

Danilo Gimenes

CEO DNA Financeiro

Publicado na Administradores.com


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