A Reforma Tributária trouxe uma alteração relevante e pouco percebida por muitas empresas optantes pelo Simples Nacional.

Se antes a decisão de permanência no regime acontecia no início do ano, agora o calendário mudou e a falta de atenção a essa nova regra pode resultar na exclusão automática do regime.

Neste artigo, você vai entender o que mudou, quais são os riscos e o que fazer para garantir que sua empresa continue no Simples Nacional em 2027.



O que mudou no Simples Nacional em 2026?

A principal alteração está no prazo para a opção pelo regime.

Tradicionalmente, as empresas tinham até o mês de janeiro para regularizar pendências e confirmar sua permanência no Simples Nacional. Com as novas regras, isso deixa de existir.

A partir de 2026, a opção para permanecer no Simples em 2027 deverá ser feita até o último dia útil de setembro de 2026.

Na prática, isso significa:

  • Antecipação do prazo em aproximadamente quatro meses
  • Fim da possibilidade de regularização em janeiro
  • Necessidade de estar regular antes do encerramento do ano

A nova janela de opção: setembro passa a ser o prazo decisivo

Com essa mudança, setembro se torna o mês mais importante do ano para empresas enquadradas no Simples Nacional.

Para conseguir permanecer no regime:

  • A empresa precisa estar completamente regularizada
  • Não pode haver débitos tributários em aberto
  • Todas as obrigações acessórias devem estar em dia

Caso contrário, o sistema não permitirá a permanência no regime para o ano seguinte.

O maior erro: deixar para janeiro

Durante anos, foi comum deixar a regularização para o início do ano seguinte.

Esse comportamento não será mais possível.

Se a empresa tentar resolver pendências apenas em janeiro de 2027:

  • O prazo já terá sido encerrado
  • O sistema não permitirá a opção
  • A empresa ficará fora do Simples Nacional

Ou seja, não haverá mais margem para correções tardias.

Por que essa mudança é tão importante?

A alteração faz parte da adaptação do sistema tributário brasileiro às novas diretrizes da Reforma Tributária.

Com a implementação das Leis Complementares 214 e 227, o Simples Nacional passará a conviver com novos tributos, como o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Esse novo modelo exige maior controle e integração por parte do Governo, reduzindo a tolerância com empresas que apresentam irregularidades.

Nesse cenário, manter a regularidade fiscal deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser uma condição obrigatória para permanência no regime.

Impactos de ficar fora do Simples Nacional

A exclusão do Simples Nacional pode gerar consequências significativas para a empresa.

Aumento da carga tributária

Regimes como Lucro Presumido ou Lucro Real tendem a apresentar maior complexidade e, em muitos casos, maior custo tributário.

Mais burocracia

A quantidade de obrigações acessórias aumenta, exigindo mais controle e estrutura operacional.

Riscos operacionais

Problemas fiscais podem resultar em:

  • Dificuldade na emissão de notas fiscais
  • Inconsistências tributárias
  • Impactos no relacionamento com clientes

Perda de competitividade

A previsibilidade e a simplificação do Simples são fatores importantes para a saúde financeira das pequenas empresas.

O que sua empresa deve fazer agora

A recomendação é agir com antecedência.

1. Realizar um diagnóstico completo

Identifique débitos, pendências cadastrais e obrigações acessórias em atraso.

2. Regularizar o quanto antes

Negocie ou quite débitos ainda nos próximos meses, evitando riscos próximos ao prazo final.

3. Criar um planejamento fiscal

Organize um cronograma para garantir que a empresa esteja regularizada até setembro.

4. Manter monitoramento contínuo

A regularidade deve ser mantida ao longo do tempo, não apenas corrigida pontualmente.

A importância da antecipação

A mudança no calendário exige uma mudança de postura.

Empresas que atuam de forma reativa tendem a enfrentar mais riscos nesse novo cenário.

Por outro lado, empresas que adotam uma gestão mais estratégica, com planejamento e acompanhamento contínuo, têm maior segurança para manter sua regularidade e crescer de forma sustentável.

Conclusão

A alteração no calendário do Simples Nacional representa uma mudança estrutural importante.

Setembro de 2026 passa a ser a data limite para garantir a permanência no regime em 2027.

Empresas que não estiverem regularizadas até esse prazo poderão ser excluídas, sem possibilidade de correção posterior.

Antecipação, organização e acompanhamento são fundamentais para evitar riscos e manter a saúde fiscal do negócio.

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